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Inclusão Socio-Educacional

A Pessoa com Deficiência Visual e sua Inclusão Social

A palavra inclusão vem sendo amplamente discutida em diferentes áreas das ciências humanas, principalmente nos meios educacionais, sendo utilizada em diferentes contextos e com diferentes significados. Contudo, não podemos negar que a inclusão escolar e social está respaldada num longo e importante processo histórico, na dialética inclusão/exclusão, representado pelas lutas das minorias na incessante busca pela defesa dos direitos e da cidadania (Aranha, 2001).

Portanto, não basta um decreto para que se efetive. A inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais, no ensino regular, demanda modificações profundas no sistema de ensino, para que se efetive uma real política de educação inclusiva. Mas não podemos deixar de considerar que estas mudanças devem ser gradativas, planejadas e contínuas, possibilitando às pessoas com necessidades educacionais especiais uma educação de qualidade. (Bruno, 2001)

O estudo destes aspectos durante o curso de graduação demonstra não ser suficiente para a prática do dia a dia dos educadores, gerando muitas dúvidas, desconhecimento e preconceitos que colaboram para mitificar e supervalorizar as dificuldades no processo ensino-aprendizagem das pessoas e, em especial das crianças com necessidades educacionais especiais, no cotidiano da sala de aula.

Conforme Zednik (2003) pode-se concluir pelas definições que: Educação significa um processo de desenvolvimento do ser humano que visa fundamentalmente à integração. Inclusão, quer dizer: fazer parte; pertencer com o outro; isto implica em relação, troca: dar e receber. Por esta conclusão a respeito de Educação e Inclusão, é cabível denominá-las Educação Inclusiva.

Por isso o Projeto Acesso visa proporcionar um aprofundamento em temas que estão presentes na prática de educadores, psicólogos e demais profissionais envolvidos, por meio de cursos de capacitação com ênfase na área da deficiência visual, buscando um atendimento sobre o processo da Educação Inclusiva, articulando o diálogo entre criança, escola e família, desenvolvendo materiais pedagógicos adaptados, transcrições em Braille e produção de texto ampliado, entre outros, visando a melhoria no processo ensino-aprendizagem e ao sucesso escolar das pessoas com necessidades educacionais especiais.

Saberes sobre a Prática Educativa Inclusiva

Proposição ao Atendimento Educacional Integrado:
A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, através da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (1993), definiu ao atendimento educacional integrado a seguinte proposição:

  • Promover a integração da criança deficiente visual na escola comum, propicia ao aluno participar com os demais alunos de todas as atividades compatíveis com as suas condições pessoais, visando à consecução dos mesmos objetivos;
  • Atende aos interesses da criança deficiente visual e da sua família, a sua permanência no lar, usufruindo a convivência de pessoas do seu círculo de relações familiares e sociais;
  • Permite a utilização dos recursos físicos, materiais e humanos existentes na escola;
  • Possibilita à comunidade, através do convívio com o deficiente visual, conhecer as suas reais limitações, conduzindo-a a uma participação consciente e efetiva de seu atendimento no lar, na escola e na sociedade;
  • A interação do aluno deficiente visual com aqueles considerados “normais” é o meio mais efetivo para destruir os conceitos errôneos que existem sobre a cegueira.

Orientações ao Professor

Orientações ao Professor no Desenvolvimento de seu Trabalho Junto ao Aluno com Deficiência Visual, segundo CENP – Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas – (1993):

As sugestões a seguir refletem a experiência de especialistas em educação de pessoas com deficiência visual, de estudiosos que tem se dedicado a pesquisar o seu desenvolvimento e as variáveis que lhe são intervenientes, de professores do ensino regular que os tiveram sob seus cuidados.

  • Alunos e professores perceberão logo que um aluno com deficiência visual, ao qual se tenha dispensado alguma atenção especial pode ocupar seu lugar como membro ativo e feliz na classe, na escola e na comunidade. A experiência é altamente compensadora, não só para essa criança, mas, também para os demais colegas e, principalmente, para o professor.
  • Sua responsabilidade dispensada à criança com deficiência visual é a mesma dispensada aos demais alunos da classe. Propicie condições para um desenvolvimento físico, intelectual e social, até onde o permitem suas limitações e potencialidades.
  • O aluno com deficiência visual se adapta muito bem às circunstâncias e está desejoso de aprender e fazer as mesmas coisas que os demais colegas com visão e as fará sempre que lhe seja dada oportunidade.
  • Talvez a sua primeira impressão não seja das melhores. São muitas vezes crianças subnutridas e, do ponto de vista da psicomotricidade, podem apresentar dificuldade de locomoção, dadas as precárias experiências de vida e falta de estimulação em época oportuna.
  • Procure informações sobre o aluno. Se possível, converse com os pais. Conheça suas reais condições de vida, seu nível de desenvolvimento. Não se esqueça de que um atraso – muitas vezes tão pertinente a essa questão –  poderá levá-lo a ser julgado como uma pessoa com deficiência intelectual.
  • Prepare a sua classe e a escola para recebê-lo. Justifique sua presença por meio do direito que todos tem à educação e do dever da escola de aceitá-lo como aos demais alunos e de proporcionar-lhe as condições necessárias para o pleno desenvolvimento de suas potencialidades.
  • Apresente-o ao grupo, como faria com qualquer aluno. As perguntas surgirão, não só das crianças, como dos adultos. Anime o próprio aluno com deficiência a respondê-las.
  • Sinta-se à vontade para usar palavras como ver e olhar. Estas palavras fazem  parte do vocabulário dele também e, ele as usa da mesma forma que as usam aqueles que veem.
  • O aluno com deficiência visual usará materiais específicos que despertarão curiosidade entre os colegas. Estimule-o responder com naturalidade às perguntas que forem feitas a respeito.
  • Inclua o aluno com deficiência visual em todas as atividades da classe. Não estabeleça a priori o que ele pode ou não fazer. Ajude-o a descobrir suas possibilidades não bloqueando seu esforço, nem subestimando sua capacidade.
  • Apresente as lições de modo a utilizar os outros sentidos tanto quanto a visão. Isto beneficiará a todos os alunos.
  • Ajude-o desenvolver conceitos significativos para si mesmo e em acordo com sua própria realidade. Não lhe imponha conceitos artificiais que não possam ser compreendidos ou apreciados devido à limitação visual.
  • Procure descrever cuidadosamente as atividades e ser coerente em suas explicações dando a esse aluno condições de aprendizagem tão semelhantes quanto possível àquelas que derivam de visualização.
  • Pense que um bom professor para os alunos “normais”, também poderá o ser para os com deficiência visual. Os processos de ensino-aprendizagem são, fundamentalmente, os mesmos, variando apenas quanto à forma de abordagem e aos materiais utilizados.
  • Considere a criança com deficiência visual como um de seus alunos tratando-a como aos demais. Não lhe conceda privilégios especiais.
  • Encare a limitação visual como apenas um dentre seus atributos e não como se fosse a sua característica mais importante.
  • Diferencie os efeitos da limitação visual daqueles que tem origem em outras causas como: estado emocional, nível intelectual. Não permita que a criança explore sua limitação.
  • Dê a seus alunos a oportunidade de compreender, respeitar, e aceitar as diferenças individuais, cooperando para minimizar os problemas decorrentes dessas diferenças.
  • Confie na criatividade, iniciativa, experiência e bom senso característicos do professor, quando da busca de soluções adequadas para as duvidas que surjam.

*Vale lembrar: ele apenas não enxerga com os olhos, portanto, precisa ser atendido diferentemente em suas necessidades educacionais especiais e não diferente dos demais. Mas, somente existirá para os demais colegas se existir para o professor e, principalmente, para a escola